
Irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, tem uma longa trajetória marcada pela militância sindical e pela atuação nos bastidores da política operária.
Aos 83 anos, ele é vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos do Brasil (Sindnapi) — uma das 11 entidades investigadas na Operação Sem Desconto, que apura fraudes de até R$ 8 bilhões envolvendo descontos indevidos nos benefícios do INSS entre 2016 e 2024.
Apesar de não ser alvo direto da investigação, o nome de Frei Chico apareceu nas manchetes em meio à repercussão do escândalo, o que colocou foco sobre seu histórico de atuação sindical e seus laços com a formação política do atual presidente da República.
Em entrevista ao Estadão, após a deflagração da operação, ele declarou: “Nosso sindicato já foi auditado, estamos tranquilos. Eu espero que a Polícia Federal investigue de fato, porque tem muita entidade picareta por aí.”
A ponte entre Lula e o movimento sindical
Nascido em Caetés (PE), Frei Chico foi o primeiro da família Silva a migrar para São Paulo. Tornou-se soldador e ingressou no sindicato dos metalúrgicos do ABC nos anos 1960. Foi dele a iniciativa de levar o irmão Lula às primeiras reuniões do sindicato, em 1969, quando o futuro presidente ainda trabalhava em uma metalúrgica em São Bernardo do Campo.
Na época, Frei Chico não pôde concorrer à diretoria sindical porque sua empresa já tinha um representante — por isso indicou Lula como suplente. Foi o ponto de partida da carreira política do petista. Em diversas entrevistas, Lula atribuiu ao irmão a base de sua formação política.
Filiado ao Sindnapi desde 2008, assumiu a vice-presidência da entidade em 2023. O sindicato é acusado de participar de esquemas que permitiram descontos indevidos de mensalidades associativas diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas.
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