Sunday, 18 de January de 2026
22°C 33°C
Campo Grande, MS

Operação Quebrando a Banca: grupo alvo da polícia usou jogo do bicho, construtoras e bets para movimentar quase R$ 100 milhões

Esquema de lavagem de dinheiro era estruturado e complexo, apontam investigações. Operação 'Quebrando a Banca' apreendeu dispositivos eletrônicos, joias, dinheiro em espécie e veículos de luxo em SP

17/01/2026 às 08h41
Por: Redação Tereré News Fonte: Por Helio Carvalho, g1 Ribeirão Preto e Franca
Compartilhe:
Dinheiro em espécie apreendido durante operação contra grupo suspeito de exploração de jogos de azar em SP — Foto: Polícia Civil
Dinheiro em espécie apreendido durante operação contra grupo suspeito de exploração de jogos de azar em SP — Foto: Polícia Civil

Alvo de uma operação da Polícia Civil nesta semana em cinco cidades do estado de São Paulo, um grupo é suspeito de movimentar aproximadamente R$ 97 milhões com exploração de jogos de azar. As investigações apontam que a organização exercia atividades criminosas complexas e estruturadas, denominadas pela polícia de "carrossel financeiro".

O grupo atuava há décadas em um esquema que envolvia jogo do bicho e diversas empresas, como construtoras, de importação e exportação, até chegar a uma plataforma de apostas on-line, as chamadas "bets".

Durante as investigações, a Polícia Civil também revelou que a quadrilha usava pessoas de origem humilde para não chamar atenção. Um dos homens investigados, por exemplo, atua como operador de caixa com salário declarado de R$ 1,8 mil, mas movimentou milhões em transações via Pix nos últimos meses.

Relatórios do Setor de Inteligência da polícia apontam que o esquema de lavagem de dinheiro funcionava da seguinte maneira:

Grupo angariava valores através de jogos de azar, em específico do jogo do bicho, o que é proibido no país;
Depois, os suspeitos movimentavam esse dinheiro através de negócios com diversas empresas, como construtoras, empresas de importação e exportação, comércios, empresas ligadas a comércios de peixes, agropecuárias;
Os valores, após a circulação, iam parar em uma empresa de bet com sede em Ribeirão Preto;
Por fim, os recursos retornavam diretamente para o CPF do líder o grupo.

Responsável pelas investigações, o delegado Ivan Luis Constâncio, da Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) de Piracicaba (SP), afirmou ao g1 que detalhes sobre o fluxo de entrada e saída dos valores ainda estão sendo apurados. No entanto, a polícia já tem certeza de que as movimentações financeiras dos investigados são incompatíveis com as rendas declaradas.

"O esquema funciona como um 'carrossel financeiro': os recursos ilícitos transitam por empresas como construtoras e incorporadoras. Posteriormente, o capital é injetado na empresa de apostas on-line, por meio de transferências concentradas, retornando então à cúpula da organização com aparência de licitude", afirma.

Segundo a polícia, o grupo contava com gerentes e operadores financeiros que pulverizavam milhões de reais por meio de transferências e depósitos fracionados, prática conhecida como "smurfing".

Também como parte da estratégia de esconder a origem dos valores, a quadrilha utilizava-se de transações imobiliárias em espécie e aquisição de ativos em nome de terceiros, apontou a apuração.

Um dos alvos, por exemplo, adquiriu um imóvel de cerca de R$ 800 mil, pago em dinheiro, sendo que recebeu quase R$ 40 milhões de uma única pessoa investigada em Mogi Mirim (SP).

Com a prática, o líder da quadrilha chegou a movimentar mais de R$ 25 milhões apenas em um único semestre de 2024.

A operação de terça-feira (13), nomeada de "Quebrando a Banca", mirou o líder da organização criminosa e ao menos outros sete integrantes, além do braço empresarial, que servia como destino para as transferências bancárias.

Ao todo, 14 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Ribeirão Preto (SP), Santa Rosa de Viterbo (SP), São João da Boa Vista (SP), Mogi Mirim (SP) e na capital paulista. Ninguém foi preso.

Dentre as apreensões estão dispositivos eletrônicos, instrumentos de apostas, valores em espécie, joias, relógios de luxo, um cofre, documentos e dez veículos, entre eles modelos de luxo, como Porsche 911, Porsche Cayenne GTS, BMW X1, caminhonetes RAM e SUVs.

Com base nas apreensões feitas, a polícia busca identificar elementos de fraude no destino do dinheiro arrecadado.

Os investigados devem responder por lavagem ou ocultação de bens, associação criminosa e exploração de jogos de azar. Os nomes deles não foram divulgados.

 

Campo Grande, MS
25°
Tempo limpo

Mín. 22° Máx. 33°

25° Sensação
0.51km/h Vento
69% Umidade
36% (0.42mm) Chance de chuva
06h12 Nascer do sol
19h24 Pôr do sol
Mon 33° 22°
Tue 28° 20°
Wed 29° 20°
Thu 32° 22°
Fri 33° 21°
Atualizado às 23h01
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,37 -0,01%
Euro
R$ 6,23 -0,02%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 541,542,92 -0,25%
Ibovespa
164,799,98 pts -0.46%