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Programa Centelha apoia inovação no Estado e transforma microrganismos em corante natural industrial

Em Mato Grosso do Sul, uma empresa tem desenvolvido uma alternativa aos corantes vermelhos químicos e aos naturais, que geralmente são feitos a par...

22/04/2026 às 05h52
Por: Redação Tereré News Fonte: Secom Mato Grosso do Sul
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Foto: Reprodução/Secom Mato Grosso do Sul
Foto: Reprodução/Secom Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, uma empresa tem desenvolvido uma alternativa aos corantes vermelhos químicos e aos naturais, que geralmente são feitos a partir de insetos. Usando biotecnologia e recursos do Pantanal, a Arandu Biotecnologia criou um corante natural vermelho produzido a partir de microrganismos encontrados no solo pantaneiro, com potencial de uso em diferentes setores industriais.

A ideia surgiu a partir de pesquisas acadêmicas com foco na aplicação da biotecnologia de forma sustentável. Microrganismos são seres vivos invisíveis a olho nu, como bactérias e fungos.

O corante desenvolvido pela empresa é obtido por meio de processos biotecnológicos, como a fermentação, que consiste em fomentar o crescimento controlado desses microrganismos para gerar o produto desejado. O modelo permite uma produção contínua, sem depender de fatores como clima ou sazonalidade.

Como o produto não utiliza matéria-prima de origem animal e nem solventes químicos agressivos, há redução nos impactos ambientais. O corante também atende a demandas de mercado por produtos chamados de “clean label” que, para atender determinados nichos de consumidores, têm composição mais simples, transparente e alinhada a padrões de consumo conscientes.

Sócio-fundador da Arandu Biotecnologia, Arthur Ladeira Macedo é pesquisador e atua no desenvolvimento da tecnologia que deu origem à empresa, conectando a produção científica à aplicação industrial. “O Centelha foi o pontapé inicial para tirar a tecnologia do papel e consolidar as primeiras entregas técnicas e de estruturação”, explica Macedo.

Com o apoio da segunda edição do Programa, a empresa iniciou sua estruturação como negócio e avançou no desenvolvimento. “Atualmente, a Arandu está na fase de transição do laboratório para a escala piloto pré-industrial”, completa.

Segundo ele, o processo de transição é sair da produção em pequena escala, típica de laboratório, para volumes maiores, mais próximos das condições reais da indústria, etapa que exige padronização, controle de qualidade e testes em diferentes aplicações.

Macedo explica também que a empresa trabalha na validação do corante em ambientes industriais, com foco em garantir desempenho, estabilidade e repetibilidade do produto. Também avança em aspectos regulatórios e na estruturação da operação para atender o mercado. “O processo ainda se encontra em fase de ajustes técnicos, o que é esperado neste estágio de desenvolvimento”, exemplifica. 

Centelha 3

A experiência da Arandu exemplifica como o apoio público à inovação pode transformar pesquisa em solução prática, conectando conhecimento científico ao desenvolvimento econômico. Com a abertura da terceira edição do Programa Centelha, novas ideias poderão seguir o mesmo caminho. A iniciativa prevê a seleção de até 47 propostas, com investimento total de R$ 6,5 milhões.

Cada projeto poderá receber até R$ 89,6 mil em recursos de subvenção econômica, além de R$ 50 mil em bolsas de fomento tecnológico e extensão inovadora, concedidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), totalizando R$ 139,6 mil por iniciativa.

Podem participar pessoas físicas, além de empresas nascentes com até 12 meses de existência. As inscrições seguem abertas até 11 de maio de 2026 e devem ser realizadas no endereço  ms.programacentelha.com.br .

A iniciativa é coordenada nacionalmente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e a Fundação CERTI.

Em Mato Grosso do Sul, o programa é executado pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia (Fundect), vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), com a parceria de Sebrae MS, Senai-Fiems, Fecomércio-Senac, Ecossistema de Inovação e o Conselho de Reitores das Instituições de Ensino Superior de Mato Grosso do Sul (CRIE-MS).

Assista ao vídeo sobre o tema no  Instagram da Fundect .

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