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Entrevista: Senador Flávio Bolsonaro fala 75 minutos ao Jornal Americano The New York Times

O senador Flávio Bolsonaro concedeu sua primeira entrevista desde que deixou o Brasil e chegou aos Estados Unidos. Em conversa de aproximadamente 75 minutos com o jornal norte-americano The New York Times

06/11/2026 às 06h01 Atualizada em 06/11/2026 às 06h49
Por: Redação Tereré News Fonte: Ana Ionova - NYT
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Senador Flávio Bolsonaro em entrevista ao The New York Times, na Flórida – 04/11/2026 (Foto: Scott McIntyre/The New York Times)
Senador Flávio Bolsonaro em entrevista ao The New York Times, na Flórida – 04/11/2026 (Foto: Scott McIntyre/The New York Times)

Flávio Bolsonaro revela detalhes de sua saída do Brasil ao New York Times

Em entrevista de 75 minutos em Miami, senador afirma que organizou a própria viagem aos Estados Unidos, nega ajuda de governos estrangeiros, questiona resultado das eleições e promete continuar atuando na política brasileira mesmo no exterior.

O senador Flávio Bolsonaro concedeu sua primeira entrevista desde que deixou o Brasil e chegou aos Estados Unidos. Em conversa de aproximadamente 75 minutos com o jornal norte-americano The New York Times, realizada na quarta-feira (4), em Aventura, na região de Miami, na Flórida, o parlamentar apresentou sua versão sobre a saída do território brasileiro, comentou a situação judicial de sua família e voltou a contestar o resultado das eleições presidenciais realizadas no mês passado.

A entrevista, publicada em 5 de novembro de 2026 e assinada pela jornalista Ana Ionova, trouxe detalhes sobre a decisão de Flávio de deixar o país, o percurso realizado até os Estados Unidos e seus planos para continuar participando da política brasileira.

Veja momentos da entrevista Vídeo

 

 
 
 
 
 
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Um dos momentos de maior repercussão ocorreu quando o senador foi questionado sobre como conseguiu organizar uma viagem internacional em circunstâncias consideradas incomuns. Flávio afirmou que realizou todo o planejamento por conta própria e negou ter recebido assistência de governos estrangeiros.

“Fui todo eu”, declarou ao jornal, acrescentando que não houve ajuda de absolutamente ninguém ou de qualquer governo. Ao ser questionado especificamente sobre os detalhes da viagem, afirmou que levará para o túmulo a maneira como conseguiu chegar aos Estados Unidos.

Segundo o parlamentar, a decisão de deixar o Brasil foi tomada espontaneamente, em conjunto com sua esposa. Ele reconheceu que poderia ter recebido apoio moral de pessoas próximas, mas insistiu que não houve participação externa na organização da saída.

A viagem ocorreu depois de uma série de acontecimentos relacionados à situação judicial da família Bolsonaro e à derrota eleitoral do senador.

A saída do Brasil e o percurso até Miami

De acordo com a reportagem, Flávio Bolsonaro decidiu deixar o Brasil depois de receber a informação de que teria 24 horas para entregar seus passaportes às autoridades.

O senador relatou que estava saindo da comunidade residencial onde seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, cumpria prisão domiciliar quando tomou conhecimento da determinação.

A decisão desencadeou uma viagem de aproximadamente oito mil quilômetros, passando por países da América do Sul até chegar aos Estados Unidos.

O percurso incluiu Equador e Argentina. Na Argentina, um dos principais assessores do presidente Javier Milei teria se encontrado com Flávio em um aeroporto.

A reportagem também apresenta informações atribuídas a autoridades norte-americanas segundo as quais um funcionário da Casa Branca teria organizado o avião que transportou o senador até Miami. A entrada de Flávio nos Estados Unidos teria sido autorizada diretamente pelo presidente Donald Trump.

Essas informações, entretanto, foram contestadas pelo próprio senador, que afirmou ter organizado a viagem sem ajuda de autoridades ou governos estrangeiros.

A publicação destaca que vários detalhes do deslocamento permanecem desconhecidos, especialmente a maneira como Flávio conseguiu realizar a viagem e manter o percurso longe da atenção pública.

O parlamentar afirmou que a decisão foi tomada diante da possibilidade de enfrentar consequências judiciais semelhantes às de seu pai.

Senador afirma que poderia acabar preso no Brasil

Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro demonstrou preocupação com sua situação jurídica no Brasil e afirmou acreditar que sua permanência no país poderia resultar em prisão.

O senador, de 45 anos, declarou que já considera praticamente definido o desfecho dos processos que, segundo ele, poderiam resultar em sua condenação.

Ele também criticou o Poder Judiciário brasileiro, acusando-o de atuar com excesso de rigor e motivações políticas.

A reportagem ressalta que Flávio não havia sido formalmente acusado de nenhum crime nos casos mencionados. Entretanto, seu mandato no Senado Federal termina no início de 2027. Com a perda da imunidade parlamentar, ele poderá ficar sujeito a medidas judiciais que dependam atualmente das prerrogativas do cargo.

A situação do senador está inserida em um contexto mais amplo envolvendo sua família. Seu pai, Jair Bolsonaro, foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e cumpria prisão domiciliar no período mencionado pela reportagem.

Seu irmão Eduardo Bolsonaro também havia deixado o Brasil e estava nos Estados Unidos. Ele foi condenado no país por sua atuação junto ao governo Trump para pressionar autoridades norte-americanas a interferirem no julgamento de seu pai.

Flávio afirmou que considera injusta a atuação das instituições brasileiras e voltou a criticar o ministro do Supremo Tribunal Federal responsável pela condenação de Jair Bolsonaro.

Questionamentos sobre as eleições e a vitória de Lula

Outro assunto central da entrevista foi a derrota de Flávio Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais do mês passado.

Apesar de seu próprio partido ter aceitado o resultado eleitoral, o senador manteve as críticas à votação e afirmou que sua derrota teria sido matematicamente impossível.

Flávio não apresentou provas para sustentar a alegação.

Durante a conversa, questionou os gastos do governo federal durante a campanha, afirmando que o presidente Lula teria contado com vantagens indevidas em relação ao adversário.

Também criticou o movimento digital que contribuiu para fortalecer a campanha de seu oponente e voltou a levantar suspeitas sobre o sistema eletrônico de votação brasileiro.

Ao ser questionado sobre a ausência de provas concretas de fraude, Flávio afirmou que possui suspeitas e argumentou que ninguém poderia garantir com 100% de certeza que ele está certo ou errado.

A reportagem destaca que as acusações apresentadas pelo senador se aproximam de teorias e questionamentos que já haviam sido divulgados por seu pai, Jair Bolsonaro, em relação às urnas eletrônicas brasileiras.

Essas alegações foram contestadas pelas autoridades eleitorais e não foram acompanhadas de evidências capazes de demonstrar fraude no processo de votação.

A diferença entre a derrota de Flávio e o resultado da eleição anterior de seu pai também foi destacada. Enquanto Jair Bolsonaro perdeu a disputa de 2022 por uma margem apertada, Lula venceu a eleição do mês passado por aproximadamente 4,4 milhões de votos.

A controvérsia sobre o horário de votação

Flávio Bolsonaro também voltou a questionar a decisão da Justiça Eleitoral de ampliar o horário de votação em determinadas localidades durante o processo eleitoral.

Segundo o senador, a medida teria sido adotada por um magistrado com motivações políticas e poderia ter beneficiado seu adversário.

Entretanto, a reportagem apresenta informações que contradizem essa interpretação.

A alteração no horário havia sido solicitada pelos dois candidatos, diante das dificuldades enfrentadas pelos eleitores em algumas regiões do país.

As fortes chuvas e os atrasos no transporte público prejudicaram o deslocamento de parte da população até os locais de votação.

A decisão judicial que autorizou a ampliação do horário foi divulgada próximo ao encerramento da votação, provocando confusão em alguns municípios, onde os responsáveis pelas seções eleitorais precisaram adaptar os procedimentos para permanecerem abertos.

De acordo com os dados apresentados na reportagem, a mudança teve influência estimada em aproximadamente 34 mil votos, número considerado insuficiente para alterar o resultado de uma eleição decidida por uma diferença de 4,4 milhões de votos.

As autoridades eleitorais brasileiras rejeitaram as acusações de irregularidades. Observadores internacionais também reconheceram a integridade do processo eleitoral.

O posicionamento de Donald Trump

A entrevista também abordou a relação de Flávio Bolsonaro com o presidente norte-americano Donald Trump.

O senador agradeceu ao republicano por permitir sua permanência nos Estados Unidos e evitou fazer críticas à postura adotada pelo governo norte-americano diante da situação política brasileira.

Trump havia comentado que a eleição brasileira parecia estranha, mas não declarou formalmente quem considerava vencedor da disputa.

Flávio afirmou que o presidente norte-americano agiu corretamente ao não tomar partido diretamente na controvérsia eleitoral.

A reportagem também menciona a expectativa de aliados do senador de que ele pudesse encontrar Trump durante a Conferência de Ação Política Conservadora, prevista para ocorrer em Mar-a-Lago, na Flórida.

Embora Trump tivesse declarado anteriormente que não planejava se reunir com Flávio, pessoas próximas ao grupo político brasileiro ainda alimentavam a expectativa de um encontro.

O parlamentar também foi questionado sobre a possibilidade de pressionar o governo dos Estados Unidos para adotar novas medidas contra o Brasil, mas evitou responder diretamente.

A relação entre os governos brasileiro e norte-americano havia sido marcada por tensões comerciais e diplomáticas. A reportagem recorda que Trump utilizou tarifas e sanções como instrumentos de pressão sobre o Brasil durante o processo judicial envolvendo Jair Bolsonaro.

A despedida de Jair Bolsonaro antes da viagem

Um dos trechos mais pessoais da entrevista foi o relato de Flávio sobre a despedida do pai antes de deixar o Brasil.

Segundo o senador, na manhã seguinte à derrota eleitoral, autoridades brasileiras se aproximaram dele quando saía da residência de Jair Bolsonaro e informaram que ele teria 24 horas para entregar seus passaportes.

Flávio afirmou que seu pai, emocionado, chamou-o para uma conversa reservada antes de se despedir.

De acordo com o relato, Jair Bolsonaro olhou nos olhos do filho e perguntou se ele compreendia o que estava acontecendo e quais poderiam ser as consequências daquele momento.

Flávio disse que respondeu que sabia o que poderia acontecer e que estava preparado para tomar as providências necessárias.

O senador afirmou que os dois não conversaram sobre um plano específico de fuga durante aquela despedida.

Algumas horas depois, Flávio publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que pretendia cumprir a determinação de entregar seus documentos e que não tinha intenção de deixar o país.

Na gravação, também declarou que pretendia liderar a oposição política depois que seu partido conquistou resultados importantes nas eleições legislativas.

Pouco tempo depois, entretanto, o senador deixou de aparecer publicamente e reapareceu em Miami aproximadamente 42 horas mais tarde.

A chegada aos Estados Unidos e a situação da família

Flávio Bolsonaro informou ao jornal que ele, sua esposa e suas duas filhas receberam autorização para permanecer nos Estados Unidos por pelo menos um ano.

A reportagem afirma que a condição migratória concedida à família é normalmente utilizada em situações que envolvem razões humanitárias.

O senador disse que ainda não havia decidido onde a família estabeleceria residência definitiva.

Seu irmão Eduardo Bolsonaro estava vivendo no Texas e havia recebido recentemente a residência permanente norte-americana, conhecida como green card.

A possibilidade de a família se estabelecer na Flórida também foi discutida entre aliados próximos dos Bolsonaro.

Paulo Figueiredo, apontado pela reportagem como um dos aliados próximos da família, chegou a defender a Flórida como uma base natural para o grupo político.

A escolha estaria relacionada à presença de apoiadores e à proximidade com importantes centros de articulação política conservadora nos Estados Unidos.

Flávio afirmou que a família estava iniciando uma nova etapa de adaptação no país, embora sua intenção fosse permanecer nos Estados Unidos apenas temporariamente.

Atuação política a partir dos Estados Unidos

Mesmo distante do Brasil, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende continuar participando da política nacional.

O senador declarou que buscará contestar judicialmente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, embora tenha reconhecido que as possibilidades de sucesso são pequenas.

Também pretende atuar na defesa dos aliados políticos que continuam trabalhando no Congresso Nacional e em outras instâncias da política brasileira.

Entre as pautas que pretende apoiar estão a redução da maioridade penal e a concessão de anistia ao seu pai e às pessoas envolvidas nos atos de 8 de janeiro de 2023.

A intenção é manter influência sobre o grupo político mesmo durante sua permanência nos Estados Unidos.

Flávio não descartou a possibilidade de retornar ao Brasil caso ocorram mudanças no cenário político e eleitoral.

Ao ser questionado sobre uma eventual nova disputa presidencial, afirmou que voltaria a ser candidato se novas eleições fossem convocadas.

A declaração indica que, apesar da derrota eleitoral e da saída do país, o senador pretende continuar disputando espaço na política brasileira.

Entrevista expõe estratégia política e incertezas sobre o futuro

A conversa com o The New York Times apresentou a versão de Flávio Bolsonaro sobre os acontecimentos que levaram à sua saída do Brasil, mas também evidenciou as dificuldades enfrentadas por sua família no cenário político e judicial.

O senador insiste que não recebeu ajuda de governos estrangeiros para deixar o país, embora a reportagem apresente informações de autoridades norte-americanas sobre a participação de integrantes da Casa Branca na organização do transporte e na autorização de sua entrada nos Estados Unidos.

Na entrevista, Flávio também manteve questionamentos sobre o resultado das eleições, apesar da ausência de provas que sustentem suas acusações e do reconhecimento internacional da votação.

Ao mesmo tempo, deixou claro que não pretende abandonar sua atuação política e que deseja continuar influenciando o debate brasileiro a partir do território norte-americano.

Sua permanência nos Estados Unidos, a situação jurídica de sua família e a possibilidade de um retorno ao Brasil permanecem como elementos centrais para os próximos capítulos de sua trajetória política.

Fonte: The New York Times. Reportagem de Ana Ionova, publicada em 5 de novembro de 2026.

Fonte original do artigo: https://www.nytimes.com/es/2026/11/05/espanol/america-latina/flavio-bolsonaro-brasil-entrevista-miami.html

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