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Stalking: Perseguição obsessiva faz vítimas mudarem rotina e acende alerta em Mato Grosso do Sul

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 Imagem gerada por IA A perseguição insistente, conhecida como stalking, tem provocado med...

23/03/2026 às 07h06
Por: Redação Tereré News Fonte: Assembleia Legislativa - MS
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Dados apontam que em 2024 foram 87,2 vítimas de stalking por um grupo de 100 mil
Dados apontam que em 2024 foram 87,2 vítimas de stalking por um grupo de 100 mil
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025
Imagem gerada por IA

A perseguição insistente, conhecida como stalking, tem provocado medo e mudanças profundas na rotina de vítimas em Mato Grosso do Sul. A prática, caracterizada por vigilância constante, envio repetido de mensagens, ameaças e tentativas obsessivas de contato, passou a ser considerada crime no Brasil em 2021. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 mostram que o número de registros de stalking no país saltou de 80.017 casos em 2023 para 95.025 em 2024, elevando a taxa de 73,8 para 87,2 vítimas por grupo de 100 mil mulheres.

Em Mato Grosso do Sul, os registros também chamam atenção. Foram 1.223 ocorrências em 2023 e 779 casos em 2024. Apesar da aparente redução, especialistas alertam que a queda pode estar relacionada à subnotificação, já que muitas vítimas ainda têm medo de denunciar ou demoram a reconhecer a perseguição como crime. A perseguição pode assumir diferentes formas, desde mensagens insistentes até vigilância constante nos locais frequentados pela vítima. Mariana (nome fictício) foi monitorada por meses pelo ex-companheiro, após o fim do relacionamento. “Ele mandava mensagens o tempo todo, aparecia nos lugares onde eu estava e ficava ligando de números diferentes quando eu bloqueava. Cheguei a mudar horários e evitar sair de casa sozinha porque tinha medo de encontrá-lo”, conta. A sensação de estar sendo observada constantemente trouxe impactos emocionais profundos. “A gente começa a viver em alerta o tempo todo. Qualquer mensagem ou carro passando perto já dá medo”, revela.

Aletânia atua na Sala Lilás de Sidrolândia
Foto: Arquivo Pessoal

A psicóloga Aletânia Ramires, que atua na Sala Lilás da Delegacia da Polícia Civil de Sidrolândia, explica que o stalker costuma ser alguém ligado a relações afetivas anteriores, principalmente quando uma das partes não aceita o fim do relacionamento. “Na nossa atuação na Sala Lilás percebemos que a perseguiçao  muitas vezes está associado a relações anteriores, como ex-companheiros que não aceitam o término do relacionaento”, pontua. Esse tipo de comportamento não deve ser romantizado. “É comum que algumas pessas confundam insistência ou vigilância constante com demonstração de amor ou cuidado. Mas é importante deixar claro que stalking não é prova de amor. É uma forma de violência que causa medo, constrangimento e afeta profundamente a ida da vítima”, alerta. A perseguição provoca impactos psicológicos importantes e altera a rotina das vítimas. “Muitas mulheres passam a mudar hábitos, evitar determinados lugares e até alterar trajetos diários por medo de encontrar o agressor. Isso gera ansiedade, sensação permanente de vigilância e abala profundamente a saúde emocional”, destaca.

Crime previsto em lei

O crime de perseguição passou a integrar o Código Penal brasileiro em 2021, por meio da Lei Federal nº 14.132, que incluiu o artigo 147-A, tipificando o stalking. A legislação define como crime perseguir alguém de forma reiterada, por qualquer meio, causando medo, constrangimento ou perturbação da tranquilidade. A pena prevista é de seis meses a dois anos de reclusão, além de multa.

Além da legislação federal, Mato Grosso do Sul também possui norma específica voltada à conscientização e enfrentamento desse tipo de violência. A Lei Estadual nº 5.202/2018 instituiu ações de divulgação e prevenção ao stalking, com o objetivo de orientar a população, incentivar a denúncia e ampliar o debate sobre a perseguição como forma de violência.

Atendimento às vítimas

Angélica Fontanari avalia que há maior conscientização das mulheres
Foto: Arquivo Pessoal

A coordenadora da Casa da Mulher Brasileira, Angélica Fontanari, avalia que o aumento de registros também está relacionado à maior conscientização das mulheres sobre esse tipo de violência.“Nos últimos anos, o crime de perseguição tem apresentado crescimento, impulsionado pela maior conscientização das mulheres sobre essa forma de violência e pela identificação das vítimas, o que contribui para o aumento das denúncias”, comenta.

A Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande, oferece atendimento integrado para mulheres vítimas de violência, incluindo casos de perseguição. No local, as vítimas recebem acolhimento e atendimento psicossocial, orientação jurídica e apoio para solicitar medidas protetivas. O serviço também conta com atendimento policial especializado e encaminhamentos ao Ministério Público e à Defensoria Pública, além da articulação com a rede de assistência social para garantir proteção e acompanhamento às mulheres em situação de violência.

Outra ferramenta disponível na capital é o botão de emergência “Proteja Mais Mulher”, desenvolvido pela Secretaria Executiva da Mulher. O recurso funciona por meio de aplicativo no celular e pode ser acionado em situações de risco iminente. Ao ser acionado, o sistema grava automaticamente cinco segundos de áudio do ambiente e envia o pedido de socorro para a plataforma de monitoramento da Guarda Municipal, que utiliza o georreferenciamento para localizar a vítima e direcionar a equipe mais próxima para o atendimento.O tempo de resposta do sistema é inferior a cinco minutos, o que permite uma intervenção rápida das equipes de segurança em situações de risco.

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